Feijão, feijão, feijão





10 entre 10 brasileiros preferem o feijão, já dizia a música. E deve ser verdade, já que é só parar para pensar em pratos típicos de todas as regiões brasileiras que ele vai aparecer ali como protagonista. Acredito que nenhum país no mundo supere a quantidades de receitas brasileiras que utilizam o feijão. Esse dado não é cinetífico, mas proponho o desafio de alguém me provar o contrário. E aí vai, começando pelo feijão e arroz, prato diário da mesa dos brasileiros. Entrando no nordeste, temos o Baião de Dois, feito tradicionalmente com o feijão de corda. Temos o acarajé, tradicional bolinho de feijão fradinho das religiões africanas, que ganhou fama e prestígio na Bahia. Tem também o virado à paulista, que nasceu ainda na época da colônia no Vale da Paraíba, região entre São Paulo e Rio de Janeiro, com couve, ovos fritos e costelas de lombo de porco. Semelhante ao virado, que em Minas Gerais é chamado de tutu, servido com linguiça frita. Mais ou menos semelhante também ao feijão tropeiro, mas um tem seus grãos amassados e no outro permanecem inteiros. Não dá pra esquecer ainda da dobradinha servida no Rio e São Paulo com feijão branco, que aqui no sul, com algumas diferenças e soma de ingredientes, chama-se mocotó. Devo ter esquecido de alguns pratos tradicionais, mas ele vira sopa, caldo, vinagrete e salada. Lembrança de infância é a salada de feijão cavalo que eu comia aos domingos servida por um tradicional restaurante, que já não existe mais, em Curitiba. Sem contar, é claro, a feijoada, que deixo para encerrar esta conversa e estampar as fotos. Primeiro a tradicional, de feijão preto, servida com arroz branco, couve refogada, vinagrete, farofa, banana frita e laranja. E ao lado, a minha feijoada de camarões, igualmente completa e com feijão carioca, com arroz branco, farofa de pão, banana frita, taioba refogada e laranja. Você sabia aquela história da feijoada ter nascido entre os escravos, para aproveitar os restos dos porcos desprezados pelos donos da casa-grande é uma grande mentira? Na verdade o prato tem ascendência portuguesa, justamente porque os luso-brasileiros, consideravam estes ditos “restos” como iguarias. Mas esta é uma outra história que daria um novo texto.

Bora comer feijão, sem esquecer, é claro, que independente da receita e do tipo, ele precisa de demolho de pelo menos 12 horas, o que, além de ajudar na preparação, elimina as toxinas que fazem mal e impedem a absorção de seus nutrientes. Sejam as receitas mais tradicionais ou inovadoras, qual é a sua preferida?

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